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O SEGREDO ESTÁ NOS BONS LIVROS

O  SEGREDO  ESTÁ  NOS  BONS  LIVROS

Esse comentário ofereço aos professores, bibliotecários, pais, enfim às pessoas que compartilham a paixão pela leitura. Falo, então, de três livros da escritora Michèle Petit:
01) “A ARTE DE LER”
02) “OS JOVENS E A LEITURA”
03) “LEITURAS: DO ESPAÇO ÍNTIMO AO ESPAÇO PÚBLICO”.
Percorrendo o mundo, desde a França até a América Latina, Michèle Petit ficou impressionada com os depoimentos de adolescentes e jovens adultos de bairros populares das periferias. Diziam eles: “ os livros não eram meros suportes de informações ou de conhecimentos a que deveriam recorrer para exercitar suas tarefas escolares ou profissionais, nem tampouco se reduziam a um passatempo como outro qualquer. Os livros propiciavam a construção de sentido.”
Diz a própria autora: “ é exatamente essa capacidade de construir sentido, inerente ao exercício da leitura, que está no cerne deste livro.” Ela ainda afirma: “ a leitura e a literatura não são enfocadas como ferramentas pedagógicas, mas antes , como uma reserva de liberdade necessária; não constitui uma fuga do real, e sim, uma pausa para curar as feridas de uma realidade demasiado dolorosa. “
No livro “ OS JOVENS E A LEITURA- UMA NOVA PERSPECTIVA”, Michèle, sem receitas mágicas, mas com profundo conhecimento de causa, ilumina por vários ângulos as relações entre os jovens e o livro, no mundo globalizado, apostando no papel fundamental que a leitura pode representar para a construção e reconstrução do sujeito, particularmente, em contextos de crise ou de grande violência social.
No livro “ LEITURAS: DO ESPAÇO ÍNTMO AO ESPAÇO PÚBLICO”, a própria escritora afirma: “ essa obra aborda, entre outras potencialidades da leitura, a descoberta de si mesmo e a abertura para o outro. “ Há neste livro trechos importantíssimos como: “ Cada um de nós tem direitos culturais: o direito ao saber, mas também o direito ao imaginário, o direito de se apropriar dos bens culturais que contribuem, em todas as idades da vida, à construção ou à descoberta de si mesmo, à abertura para o outro, ao exercício da fantasia, sem a qual não há pensamento à elaboração do espírito crítico.” (pág. 23).
Já na pág. 112 – com conhecimento profundo sobre os bons livros, ela acrescenta: “ Sempre digo que ao escutar os leitores, recordamos que a linguagem não pode ser reduzida a um código, a uma ferramenta de comunicação, a um simples veículo de informações. A linguagem nos constitui. Quanto mais somos capazes de dar nome ao que vivemos, às provas que enfrentamos, mais aptos estaremos para viver e tomar certa distância em relação ao que vivemos, e mais aptos estaremos para nos tornarmos sujeitos de nosso próprio destino. Podem nos quebrar, nos mandar embora, nos insultar com palavras e também com silêncios. Outras palavras, porém, nos dão lugar, nos acolhem, nos permitem voltar às fontes, nos devolvem o sentido de nossa vida. E encontramos nos livros algumas dessas palavras que nos restauram. Em particular, em obras cujos autores tentaram transcrever o mais profundo da experiência humana, desempoeirando a língua. Ter acesso a elas não é um luxo: é um direito, um direito cultural, como o acesso ao saber. Porque talvez não haja sofrimento pior que ser privado de palavras para dar sentido ao que vivemos. “
Devo esclarecer: esses livros não são de ficção. São livros com textos de conferências, realizadas em países da América Latina e voltadas, entre outros, para bibliotecários, pais, professores, mediadores de leituras e profissionais dedicados á formação de leitores de modo geral. Em comum, esses ensaios destacam a leitura como atividade de resistência e indagação, a qual permite a muitas pessoas, em circunstâncias desfavoráveis, tornarem-se agentes de seus destinos.


Publicado por: Douglas Varela Data: 14/05/2018 06:40

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