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Otília Volpato Carletti: 90 Anos

Otília Volpato Carletti: 90 Anos

 


A aposentada Otília Volpato Carletti comemorou 90 anos na última segunda-feira, dia 07. Um almoço de confraternização e homenagens, com a presença de familiares e amigos, foi realizado no salão de festas da AABB, em Ouro, no sábado, dia 05, para celebrar o aniversário.
Dona Otília Volpato Carletti nasceu no dia 07 de agosto de 1927 no Distrito de Bonsucesso, interior de Videira. Casada com Avelino Carletti (in memoria), tem 6 filhos: Nair, Elzira, Diva, Antonio, Vilmar e Sandra, todos casados. A família é composta atualmente por 17 netos, 19 bisnetos e 1 tatareto.
Em recente entrevista ao Jornal A Semana, Dona Otília contou que conheceu o seu Avelino na Igreja, pois todos os domingos a família se deslocava 08 quilômetros, a pé, para participar da Santa Missa.
Desde menina ajudava os pais na roça. Por conta da necessidade de ajudar a família e da distancia conseguiu estudar apenas por dois anos do ensino fundamental.
Quando casou, em 1946, passou a morar em Ouro e trabalhava na agricultura, nas terras do seu pai que se situavam na Coxilha Seca. Foram 3 anos de muita luta e alguns prejuízos. Os 120 cruzeiros que tinha trazido no enxoval foram todos empregados na atividade agrícola, mas nada aconteceu como planejado: no primeiro ano a seca fez com que a produção não fosse satisfatória. No segundo houve a invasão dos gafanhotos que destruíram toda a plantação e no terceiro ano houve a peste suína que dizimou todos os porcos e galinhas.
Dona Otília criava galinhas, produzia queijos e juntava os ovos das galinhas para contribuir com o sustento da casa. Todos os sábados montava em seu cavalo “Baio”, com galinhas dependuradas pelas pernas, os queijos e ovos dentro dos “pessoelos” e seguia para a cidade onde entrega tudo na padaria. Ela conta que atravessava a ponte pênsil montada no cavalo.
Diante das dificuldades, voltaram a residir em Rio das Antas, de onde haviam saído quando casaram. La constituíram sociedade com um cunhado em uma tanoaria e esquadria e, mais tarde, em uma ferraria. A empresa prosperou e eles adquiriram um caminhão para o transporte dos produtos. O esposo Avelino era o motorista. Com a morte do cunhado, a empresa passou a ser administrada por um terceiro o qual fez com que a empresa pedisse concordata e viesse a falir.
Restou ao casal apenas uma pequena casa. Então compraram um caminhão e transportavam lenha para abastecer as locomotivas da estrada de ferro Rio Grande-São Paulo. Como a renda era muito pequena resolveram voltar para o município de Ouro e compraram o bar do pai da Dona Otília, Guilherme Volpato, onde reiniciaram a vida. O atrativo principal do estabelecimento era o sorvete mexido com pá de madeira. Dona Otília passou a se dedicar a cuidar da casa e plantar na chácara.
Anos mais tarde paralisaram as atividades com o bar e seu Avelino foi trabalhar de motorista: primeiro com Silvério Baretta e depois nas Indústrias Reunidas Ouro até se aposentar.

Ponte Pênsil
Como morava ao lado da Ponte Pênsil lembra com detalhes de alguns episódios envolvendo a mesma. Lembra de quando proibiram a travessia de carros, de uma grande nevasca onde faziam bonecos de neve em cima da ponte, da enchente de 83 que a derrubou em parte e anos depois do vendaval que virou a parte móvel derrubando algumas pessoas, inclusive o neto Valderez Federle que por muita sorte conseguiu se salvar.
Hoje aos 90 anos, Dona Otília lembra com riqueza de detalhes dos filós que faziam, dos homens que jogavam baralho enquanto as mulheres preparavam a comida, mas o fato mais interessante é que se reuniam diversas famílias para o tradicional “brodo” e como não tinham panelas grandes, o caldo de galinha era preparado dentro de duas latas de querosene. Tem saudades daquele tempo em que lá pela meia noite o “brodo” e a carne eram servidos e todos se deliciavam.
Ela deixa este pensamento: “se os jovens de hoje vissem como era há 70 anos não iriam acreditar, mas gostaria de viver mais 70 anos para ver a evolução”...


Publicado por: Douglas Varela Data: 12/08/2017 08:00



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